O Setembro Amarelo chegou. E, com ele, a missão de conscientizar a população sobre o suicídio, de modo a tentar evitar esse problema, que pode ser tratado e evitado em 90% dos casos, segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). De olho nisso, as equipes do Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT) e do Núcleo de Educação Permanente (NEP) do Hospital da Mulher Dr.ª Nise da Silveira (HM)/Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora de Fátima, localizado no bairro Poço, em Maceió, prepararam uma série de atividades importantes sobre essa temática, que tem uma ligação profunda com a saúde mental e transtornos, a exemplo da depressão.

No hall de entrada da unidade hospitalar, um espelho pendurado sobre a lousa, enfeitada com laços amarelos, e uma mensagem em destaque, dizendo: “Ei, olha aqui! Essa é a pessoa mais incrível que você vai ver hoje. Sabe por quê? No caminho eu te conto…”, foi uma maneira de as equipes chamarem a atenção dos funcionários, pacientes e acompanhantes, para que eles se lembrem das razões que os motivam a cultivar o amor-próprio.

“A ideia do espelho é mostrar para essa pessoa o quão incrível ela é. Que ela possa ter um olhar de carinho consigo mesma todos os dias, cada vez que se autoavaliar. E que, ao chegar aqui para trabalhar, esse funcionário saiba que há muitos colegas com quem pode contar, independente do problema que ele esteja passando. Essa ação, a meu ver, é uma maneira de darmos uma injeção de ânimo nas pessoas”, disse Guilherme Moreira, técnico de Segurança do Trabalho do HM/Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora de Fátima.

Ao percorrer o corredor, os funcionários, pacientes e acompanhantes acabam encontrando mensagens dispostas no chão, com os seguintes dizeres: “Quando levanta da cama e enfrenta mais um dia. Você é incrível!”, “Mesmo carregando feridas que quase ninguém sabe. Você é incrível!”, “Porque, mesmo tendo todos os motivos pra desistir, [você] continua lutando. Você é incrível!”, “Porque, mesmo quando desaba no choro, [você] sabe que o amanhã pode ser melhor. Você é incrível!”, “Quando coloca sua dor no bolso para também ouvir a do outro. Você é incrível!” e “Sendo quem você é, do jeitinho que você é. Você é incrível.”

Ao final da última mensagem, eles acabam sendo surpreendidos com fotos da equipe, segurando placas com mensagens positivas num varal, mostrando para aquela pessoa que esteja passando por algum problema, que ela pode contar com alguém que está disposto a escutá-la. “O sentido é mostrar pra essa pessoa que o seu colega de trabalho pode dar um significado, pode fazer um esforço para tentar compreender e até mesmo se colocar no lugar dela, a partir daquilo que está sendo compartilhado”, salientou Moreira.

Além das fotos, um QR Code foi disponibilizado no varal. Assim que o usuário mirar a câmera para o código de barras bidimensional, ele será redirecionado para falar com o Centro de Valorização da Vida (CVV), caso queira. “Na falta de ter alguém com quem conversar, ou se a pessoa não se sente à vontade para falar sobre seus problemas com um colega de trabalho, um amigo ou um familiar, os voluntários do CVV estão disponíveis 24 horas por dia pelo telefone 188. A ligação é gratuita. A conversa também pode acontecer por e-mail ou chat em diferentes horários”, completou Moreira.

A epidemia oculta – De acordo com Fabiana Calheiros, médica do trabalho do HM/Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora de Fátima, manter em dia a saúde mental em tempos de fraqueza emocional, com restrições, medos e incertezas, é um verdadeiro desafio para a população em geral, como também para os profissionais que estão atuando todos os dias na linha de frente no combate à Covid-19.
Pensando nisso, a especialista, juntamente com Guilherme Moreira, vai ministrar uma palestra, voltada aos profissionais, cujo foco será a ansiedade e a depressão nos tempos de pandemia. “Imagina o profissional de saúde que sai todo dia para enfrentar o inimigo invisível? A possibilidade de trazer para o lar, de se contaminar e adoecer? A maioria acaba passando pouco tempo com seus familiares, em virtude da jornada de trabalho, que chega a ser de 12 a 24 horas. Além disso, alguns comem fora de hora, dormem pouco e ainda precisam lidar com a dor do outro diariamente. Por essas e outras razões, é muito comum eles entrarem num estado de alerta e desenvolver quadros ansiosos e até depressivos”, explicou.

A equipe também vai disponibilizar a “Caixinha do Desabafo”, cujo objetivo é oferecer mais um espaço para que os profissionais possam estar falando de seus sentimentos. A caixa vai ser aberta ao longo do mês de setembro, por uma psicóloga do HM/Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora de Fátima, e seu conteúdo será totalmente sigiloso.
Para Eliza Barbosa, diretora-geral do HM/Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora de Fátima, essas ações têm o propósito de chamar a atenção para a prevenção ao suicídio e, principalmente, alertar aos profissionais que estejam passando por algum problema, que procurem ajuda, seja com um psicólogo, seja com uma pessoa que ela se sinta à vontade para conversar. Segundo ela, a educação e a comunicação são os principais pilares do Setembro Amarelo, uma vez que a desinformação dá margem para pré-julgamentos.

“Considerando que nem sempre essa ajuda é procurada, num primeiro momento, com algum profissional da área da saúde, mas que, às vezes, acontece de início com algum colega de trabalho ou amigo com quem a pessoa mais se identifica, é sempre bom pensar que, apesar de estarmos caminhando para um futuro melhor, pensamentos e tabus ainda dificultam a compreensão da importância do tratamento psicológico ou psiquiátrico. Por isso, não devemos temer em expressar o que sentimos, mesmo que seja doloroso. A melhor opção é procurar ajuda profissional. O Setembro Amarelo tem como uma de suas funções divulgar essa maneira de pensar. Dessa forma, os tabus associados às doenças psiquiátricas, bem como, ao suicídio, eventualmente, são quebrados. A prevenção ao suicídio não acontece de forma isolada, e sim, com a cooperação e participação de todos”, afirmou Eliza Barbosa.
Fonte: Ascom Sesau