Alta Comissária da ONU para Direitos Humanos nega que confrontos na região de Tigré tenham se encerrado. Segundo observadores, há relatos de violações aos direitos humanos, inclusive de violência sexual.
O conflito na Etiópia, que opõe desde o início de novembro as forças do governo federal e as da região de Tigré, está “fora de controle”, afirmou a alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, nesta quarta-feira (9).
“A situação na Etiópia é realmente preocupante e volátil”, disse Bachelet em entrevista coletiva em Genebra, insistindo no impacto que o conflito tem sobre a população civil.
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Michelle Bachelet durante discurso no dia 30 de junho de 2020 — Foto: Denis Balibouse/Reuters
Cerca de 50 mil etíopes se refugiaram no Sudão, do outro lado da fronteira, enquanto boa parte dos 96 mil refugiados provenientes da Eritreia que estavam na área fugiram. Agora, eles se encontraram em acampamentos precários, isolados e sem ajuda humanitária.
Milhares de pessoas morreram na ofensiva ordenada pelo primeiro-ministro Abiy Ahmed, ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 2019, para expulsar as lideranças Frente de Libertação do Povo Tigré (TPLF).
Segundo Bachelet, “os confrontos continuam em Tigré, apesar de o governo federal dizer o contrário”.

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Ela acrescentou que observadores da ONU puderam confirmar informações sobre graves violações dos direitos humanos, sequestros e violência sexual.
“Foi relatado que jovens do Tigré estão sendo recrutados à força para lutar contra sua própria comunidade”, afirmou Bachelet. A alta comissária destacou também a urgência de se poder visitar o país para fazer uma avaliação independente da situação.
“Apesar de um acordo entre o governo e as Nações Unidas, o acesso não tem sido possível”, acrescentou.
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Crianças em um centro para os refugiados do conflito em Tigré, norte da Etiópia — Foto: Ashraf Shazly/AFP
Fonte: G1