Em audiência, pesquisadores dizem que há ‘pouco dinheiro’ para estudos sobre Covid-19

Acadêmicos ouvidos por deputados e senadores se queixam da baixa liberação de recursos destinados a pesquisa e desenvolvimento científico para combater a pandemia.

Pesquisadores ouvidos nesta segunda-feira (17) em audiência pública no Congresso sobre o coronavírus, se queixaram da baixa liberação de recursos pelo governo federal para incentivar pesquisas científicas sobre a Covid-19.

Os acadêmicos falaram em uma comissão formada por deputados e senadores para discutir os investimentos em estudos e desenvolvimento científico relacionados à pandemia.

Eles compararam o montante destinado pelo Ministério de Ciência e Tecnologia para pesquisa sobre a Covid-19 com o valor aplicado em outros países na mesma área.

Segundo os pesquisadores, R$ 100 milhões já foram liberados para pesquisa e outros R$ 352 milhões devem sair nos próximos dias, valor considerado insuficiente.

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“Não são recursos que chegaram na ponta. São recursos que foram colocados à disposição, menos de R$ 500 milhões. A nossa primeira avaliação no começo de julho é de que, desses R$ 500 milhões, cerca de R$ 100 milhões chegaram efetivamente a quem faz pesquisa”, afirmou o Glauco Arbix, ex-presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-37/html/container.html

“A gente sabe que a ciência é capaz de dar respostas à Covid. Não há saída fora do espaço da ciência. Não há saída milagrosa”, declarou Carlos Américo Pacheco, diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Luiz Davidovich, presidente da Academia Brasileira de Ciências, destacou que sem recursos, o Brasil está desperdiçando uma mão de obra qualificada e deixando de combater a pandemia de forma mais eficaz.

“Estamos primeiramente desperdiçando recursos humanos, jovens e experientes, e deixando de atacar a Covid 19 de maneira mais eficaz, usando ciência e inovação”, declarou.

Para o presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Ildeu de Castro, o montante para financiar pesquisas deveria ser muito maior. Segundo ele, se o cálculo levar em conta aportes de fundações, setores privados e da Fiocruz, o valor destinado a pesquisas sobre o coronavírus chega próximo a R$ 1 bilhão, mas fica bem abaixo do aplicado por outros países.

“Para pesquisa mesmo, para inovar, para fazer pesquisa voltada para todos esses aspectos de fármacos, vacinas e monitoramento, o recurso ainda é muito baixo e deveria ser certamente muito maior”, afirmou.

G1 questionou o Ministério da Ciência e Tecnologia, mas obteve resposta até a publicação desta reportagem.

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Comparação internacional

Durante a audiência, os pesquisadores citaram um estudo da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo que mostrou a discrepância entre os investimentos em pesquisa e desenvolvimento científico de países como Canadá, EUA e Alemanha se comparados ao Brasil.

O levantamento apontou que os EUA já destinaram US$ 6,1 bilhões para pesquisas sobre o coronavírus. Alemanha (US$ 2,34 bilhões), Reino Unido (US$ 1,72 bilhão) e Canadá (US$ 970 milhões) também apresentaram investimentos mais significativos na área.

“Se fizermos a comparação internacional estamos muito distantes mesmo levando em conta que o nosso PIB é 10 vezes menor que o americano. Estamos muito atrás na utilização de recursos para o enfrentamento do Coronavírus”, ressaltou Ildeu de Castro.

“São países que são poderoso, que tem recursos, é verdade, mas na gente não precisaria ficar aqui no Brasil ainda mais sendo a 8 economia mundial, ficar com 400 milhões”, disse Glauco Arbix.

Fonte: G1

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